Georges Didi-Huberman, Cascas



"Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio , o telescópio são extensões de sua visão; o telefone é a extensão de sua voz; em seguida, temos o arado e a espada, extensões do seu braço. O livro, porém, é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação."

[DIDI-HUBERMAN, 2018, p.189]

"A palavra liber [...] designa a parte da casca ainda mais propícia que o próprio córtex a servir de suporte para a escrita. Nada mais natural, portanto, que ela tenha dado seu nome a coisas tão necessárias para inscrever os farrapos de nossas memórias: coisas feitas de superfícies, de lascas de celulose decupadas, extraídas das àvores, onde vêm reunir-se as palavras e as imagens. Coisas que caem de nosso pensamento e que denominamos livros. Coisas que caem de nossos dilaceramentos, cascas de imagens e textos montados, fraseados em conjunto."

[DIDI-HUBERMAN, 2018, p.73]