"[Jan] Bloomfield [...] fez algumas obras de anti-arte. Em uma delas, colou duas pequenas casas perto uma da outra, de forma semelhante à que às vezes se vê em cartões postais. Eu pensei: Como seria preencher uma folha inteira de papel com casas? Daria a impressão de uma metrópole. E foi assim que em 1919 a minha primeira fotomontagem de grande formato foi feita." 

Paul Citroen, 1958 (tradução nossa)
[apud STIERLI, 2018, p.42]

"Provocada pelo choque da metrópole moderna, a foto-montagem vanguardista deve ser vista como uma cisão não apenas na história da visão ocidental, mas também na sua conceituação do espaço. A tendência unificadora da visão monocular da perspectiva linear não parecia mais plausível ou adequada face     às inerentes descontinuidades espacial e perceptual da metrópole. [...] a fotomontagem moderna pressupõe um  ponto de vista do espectador que não pode ser claramente fixado, mas que é móvel e potencialmente incorporado. Isso muda fundamentalmente a relação entre o objeto percebido e o sujeito que o percebe. O plano pictórico não mais pode ser apreendido de uma só vez de um ponto de vista ideal; ao invés disso, deve ser percorrido visualmente e explorado de múltiplas perspectivas para que possa ser compreendido. O que o espaço heterotópico da fotomontagem sublinha é a percepção no tempo, como sequência e síntese de impressões conflituantes.”

Martino Stierli, Montage and The Metropolis (tradução nossa)
[STIERLI, 2018, p.36-37]


︎Paul Citroen, Metropolis. 1923. Fotomontagem, 76 x 58 cm. Prentenkabinet, Universidade de Leiden.