Em 1595, é publicado Atlas sive Cosmographicae Meditationes de Fabrica Mundi et Fabricati Figura [Atlas ou Meditações Cosmográficas sobre a Criação do Mundo e a Forma da Criação], organizado pelo geógrafo flamengo Gerhrard Kremer (1512, Flandres - 1594, ?) conhecido como Gerardus Mercator,

Mercator foi o inventor da Projeção de Mercator, até hoje a mais utilizada projeção geométrica para representar o Mapa Mundi. Contratado em 1569 para produzir um mapa do globo terrestre que fosse testado e adaptado para o uso em navegação, e que deveria ser mantido em sigilo, desenvolveu um sistema revolucionário, até hoje utilizado em cartas náuticas e mapas em geral, inclusive os digitais como o Google Maps.

O atlas de Mercator ambicionava constituir uma Cosmografia que desse conta de toda a criação do mundo, da descrição dos objetos celestiais, da terra, dos mares, da genealogia e da história das nações. A coleção de mapas foi especialmente produzida para a publicação, que não era uma mera reunião e padronização de mapas existentes, como outras publicações da época. Mercator, que iniciou o projeto em 1569, faleceu apenas um ano antes da sua publicação, em 1594.

A publicação, que não foi a primeira do gênero, é mais reconhecida hoje por ter sido a primeira o título que depois se populariza para designar publicações de natureza semelhante. Segundo Thereza Castro, a referência ao herói grego deve-se à comparação feita por Mercator entre a dimensão monumental do seu empreendimento e imensa tarefa imposta por Zeus ao titã. 

"Dirigindo-se ao Príncipe Ferdinand de Medici, a quem dedica a sua obra, Mercator comenta a sua escolha: 'Coloco este Atlas, tão notável pela sua erudição, pela sua humanidade e pela sua sabedoria, como o modelo que procuro. imitar'. Refere-se a uma tradição tardia, segundo a qual Atlas também é especialista em astronomia: seu rosto, examinando e medindo um globo terrestre, decora assim o frontispício de sua obra." (CASTRO, 2008, p.165, tradução nossa)

A partir de então, atlas torna-se sinônimo de todo tipo de publicação e, mais do que isso, de “uma forma de saber destinada a recolher, em imagens, a dispersão - mas também a secreta coerência - da totalidade do nosso mundo” (DIDI-HUBERMAN, 2013, p. 86).