ATLAS HISTORICO DE CIUDADES EUROPEAS
Manuel Guàrdia, Francisco Javier Monclús e José Luis Oyón (org.)
CCCB - Barcelona, 1994


O Atlas Historicos de Ciudades Europeas foi uma ambiciosa pesquisa com o objetivo de produzir uma obra de referência para o campo da História Urbana na Europa — e no processo de sua feitura, articular também uma rede de pesquisadores voltados ao seu estudo. A pesquisa, promovida pelo Centre de Cultura Contemporània de Barcelona e coordenada por Manuel Guàrdia, Francisco Javier Monclús e José Luis Oyón, teve dois volumes publicados, dedicados a cidades ibéricas (vol. I - 1995) e francesas (vol. II - 1996). Ambicionava ainda alcançar 100 cidades em 10 volumes, mas não chegaram a ser publicados outros além dos dois primeiros.

Através do cruzamento entre diferentes campos voltados ao estudo das cidades, como a história, a geografia, a sociologia, os estudos da paisagem e o urbanismo, os autores pretendiam decompor “uma realidade urbana postulada como única” (GUARDIA et al. 1996, p.127) e situar o campo da História Urbana no cruzamento entre esses saberes. Seus organizadores explicam que, ao apresentarem o conjunto de documentos e narrativas visuais reunidos em torno de cada cidade, os pesquisadores convidados deveriam situar o olhar a uma distância intermediária: nem demasiadamente específico a ponto de deter-se em casos muito singulares aos seus próprios contextos, prejudicando assim a comparação entre os processos; nem partindo para generalizações essencialistas que não considerassem os fatores próprios de cada processo histórico.

Neste ponto delicado de equilíbrio, pesquisadores de diferentes universidades eram convidados a produzir narrativas históricas a partir de suas próprias referências, documentos e modos de narrar. Deveriam, no entanto, balizar-se por “temas fundamentais” definidos pelos organizadores: “situação e localização, funções urbanas e demografia, crescimento espacial, estrutura sociofuncional e morfologia urbana, planos e projectos urbanísticos, infraestruturas, instituicões e equipamentos.” (Ibidem, p.133)

A escolha do atlas como dispositivo articulador do extenso e complexo conjunto de pesquisadores e documentos reunidos pela pesquisa não foi uma mera referência ao tradicional meio de publicação de cartografias e imagens de cidades. A forma-atlas é convocada aqui, sobretudo, por sua capacidade de operar e transmitir saberes de modo comparativo, produzindo percursos multiescalares entre as cartografias históricas, infocartografias, fotografias e textos através dos quais cada narrativa é construída.

O professor Xico Costa, que coordenou a elaboração das cartografias temáticas para o projeto, ressalta (em conversa conosco) o papel central da editoração, lembrando que os conteúdos eram pensados a partir da sua disposição em páginas duplas, cada uma correspondendo a um tema ou recorte temporal. As composições narrativas de paineis visuais amarrados por textos, apesar de variarem de acordo com as especificidades de cada contexto, apresentam por meio da repetição temática e cronológica uma leitura que privilegia o aspecto comparativo.

O olhar voltado à morfologia urbana não a tem como um fim em si mesma, mas como consequência de processos históricos, articulados visualmente por meio de sínteses gráficas e montagens editoriais. Na forma como se constrói cada discurso e na articulação entre eles é possível vislumbrar como se pensa, gere e planeja o conjunto de cidades em questão, desde os primeiros burgos medievais até as metrópoles contemporâneas, seja no âmbito do planejamento urbano, da documentação cartográfica ou da historiografia acadêmica. Para além de uma evolução de processos socio-políticos traduzidos em formas urbanas, emerge dos intervalos entre cada página dupla, cada tema e cada cidade, também uma leitura acerca de como pesquisadores de campos e contextos diversos voltam seus olhares para a história das suas cidades, através das suas escolhas editoriais e narrativas.



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